Guie-se sem as mãos, apenas deixe o seu coração bater.

Ele era exótico, guiado sempre pela razão e pelo que luta. Achava-se desprezível e sem importância; um marrento que andava por aí com a barba mal feita, skate no ombro e mochila nas costas. Ele era o exemplo perfeito do avesso do que eu aparentava ser, mas extraordinariamente e completamente o que me preenchia por dentre. Arrebatou-me de tal maneira que o meu declínio foi inevitável. Eu já era dele antes mesmo de saber. (Planosaesquerda)


Eu não sou nenhuma dessas meninas que preferem usar all star e não usam pente pela manhã, na verdade, eu prefiro um par de sapatilhas e meu cabelo nunca está desengrenhado. Mas apesar do meu exterior ser interligado com todo o padrão, o meu interior me submete a outro universo paralelo, nele sou atraída por coisas fora de ordem, fora do real contexto que aparento. Meninos marrentos, hadcore, palavrões e um desencadeado de coisas que me causam euforia e que me completam. É por isso que aceito as consequências do que sei que me faz melhor. (Planosaesquerda)


Caminho sem nenhuma certeza. Apenas com a razão da minha mente e a insensatez do meu coração.

Insana mente: Menina de sorriso fácil, joelho ralado e cabelo bagunçado. Vivia...

Menina de sorriso fácil, joelho ralado e cabelo bagunçado. Vivia pulando de linha em linha, conversando com um verso aqui, uma estrofe ali e arrumando brigas com um parágrafo ou outro.

Não gostava deles. Gostava mesmo de vírgulas, exclamações, vivia nas reticências. Mas pontos finais? Jamais. E os parágrafos eram cheios deles. 

Uma vez, discutiram sobre João. Que João, ninguém sabe. Mas a briga foi feia, ah, se foi…

- E por que João teve de dormir?

- Ora, devia estar cansado. Que há de mal nisso?

- E não sonhou, o menino? Não acordou para beber água ou ir ao banheiro? E se estava frio, como não puxou o cobertor mais para cima no meio da noite? Apenas dormiu, você disse. João dormiu e ponto final! Como pode alguém dormir e ponto final?

- Que insolente! Não cabe a mim, o Último Parágrafo, dizer que João acordou para ir ao banheiro, beber água ou puxar cobertores. Sabe o quanto sou nobre, senhorita… disto sei que bem sabes. Não devo ser minucioso, devo ser direto e conclusivo. E ponto final.

- Isto não está certo. E ponto final.

- Mas uma moça assim tão esperta como você pode muito bem descobrir o que fez e deixou de fazer João, sem a ajuda de um pobre e velho parágrafo como eu.

- Então, por fim, não há mais argumentos contra sua insensatez. Irei eu mesma dizer o que fez João, o que foi João e o que bem entender sobre esse tal João. E se quer saber, muito melhor que o senhor.

- Que autoridade ou nome tem a senhorita para tamanha impertinência?

- Poesia, meu senhor. Poesia.


4 months ago5 notesreblog!
originally: insana-mente • via: insana-mente

insana-mente:

“-Olá, posso me sentar? - disse ele.

-Claro. - respondi, sem muita vontade.

-Uma chuva e tanto essa, não é?

-Verdade.

-Aposto que foi um importado. Eles sempre fazem isso.

-Hã? Isso o que? - fiquei um pouco confusa.

-O carro… que te molhou… - me incentivou.

-Ah, foi sim. Mas… espere, como você sabe? Quero dizer, você está me seguindo?!

-Não, não. É que eu percebi que você está com um guarda-chuva, e só um lado está molhado. A propósito, você é canhota. - ele piscou.

-S-sim.

Demorei um pouco para assimilar o que ele havia dito. Era realmente impressionante. 

-Você é bem, ahn, observador.

-Quando me interesso, sim. - ele sorriu de lado, um pouco envergonhado.

-Eu, ahn… desculpe, não sei o que dizer. Devo estar realmente vermelha.

Ficamos em silêncio por alguns segundos.

-Então você gosta de sushi…

Meu olhos se arregalaram - Como… como você sabe?

-Bem, - ele deu uma risada de deboche - talvez porque estamos sentados nas cadeiras de um restaurante japonês.

-Ah! Claro. - Corei.

-Desculpe-me. Eu não… queria te deixar sem graça.

-Minha existência me proporciona isso sem peso na consciência.

Ele olhou fixamente para mim, como se esperasse mais, de uma forma que me deixou até sem jeito.

-Eu sou, ahn… tão previsível - nem eu mesma pude distinguir se era uma pergunta ou afirmação -, quero dizer, você já sabe tanto sobre mim e eu nem mesmo sei seu nome.

-Eu também não sei o seu - ele riu-. Aliás, Guilherme, prazer. Olha, na verdade, a última coisa que você é, é sem graça.

Corei. - Amanda.

-Você quer, ahn… companhia?

-Hã? - eu parecia uma idiota.

-Companhia - ele sorriu -. Quero dizer, você estava esperando a chuva passar, não é?

-Ah, claro. Mas eu moro longe, desculpe. Eu não quero roubar seu tempo ainda mais.

Ele tirou uma chave do bolso e balançou. Não precisou dizer mais nada. 

Fomos para casa, ele me contou algumas piadas e quando chegamos lá, ele me beijou.”

-E vocês ainda se falam, Amanda? Mesmo depois de tanto tempo?

-Ah, claro! Aliás, estou contando os dias para dizer sim, mas no altar.

(vivianeraposo)


4 months ago8 notesreblog!
originally: insana-mente • via: insana-mente